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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Linfócito T modificado vence câncer -‏

Bom dia amigas de luta
Temos novidades na cura contra o câncer
Um ano atrás, quando a quimioterapia parou de funcionar contra sua leucemia, William Ludwig se inscreveu para ser o primeiro paciente a ser tratado em um corajoso experimento na Universidade da Pensilvânia. Ludwig, então com 65 anos, agente penitenciário aposentado de Bridgeton, Nova Jersey, sentia que sua vida estava se acabando e imaginou que não tinha nada a perder.
Os médicos removeram 1 bilhão de suas células T (ou linfócitos T) – um tipo de glóbulo branco que combate vírus e tumores – e as proveram com novos genes, que iriam programar as células para atacar o câncer. Então, as células alteradas foram novamente inseridas nas veias de Ludwig.
No começo, nada aconteceu. Mas, depois de dez dias, as portas do inferno foram abertas em seu quarto de hospital. Ele começou a tremer, com calafrios. Sua temperatura aumentou. Sua pressão sanguínea baixou. Ele ficou tão doente que os médicos o moveram para a UTI e o avisaram de que poderia morrer. Sua família se reuniu no hospital, temendo o pior.
Algumas semanas mais tarde, não existia mais febre. E também não existia mais a leucemia. Não havia rastro dela em lugar algum.
Um ano depois, Ludwig ainda está em completo processo de remissão. Antes, havia dias quando ele mal conseguia levantar-se da cama; agora, ele joga golfe e
trabalha no jardim.
''Ganhei a minha vida de volta’', diz.











Linfócite T vence câncer(NYT)
NYT
Os médicos de Ludwig ainda não afirmaram que ele esteja curado – é cedo demais para dizer isso – nem declararam vitória contra a leucemia com base nesse experimento, que envolveu apenas três pacientes. As pesquisas, dizem eles, ainda têm um longo caminho pela frente e o tratamento ainda está em fase experimental, não estando disponível fora dos estudos. Mas os cientistas dizem que o tratamento que ajudou Ludwig, descrito recentemente na revista New England Journal of Medicine and Science Translational Medicine, pode significar o ponto de virada na longa luta para desenvolver terapias genéticas efetivas contra o câncer. E não apenas para os pacientes de leucemia: outros cânceres também podem ser vulneráveis a essa nova abordagem – que emprega uma forma desabilitada do HIV-1, o vírus causador da Aids, para levar os genes anticâncer até as células T dos pacientes.
Em essência, a equipe está usando a terapia genética para realizar algo que os pesquisadores têm esperado conseguir durante décadas: treinar o próprio sistema imunológico da pessoa para matar as células cancerígenas.
Dois outros pacientes estiveram sob o mesmo tratamento experimental. Um teve remissão parcial, e o outro, completa. Todos os três tinham leucemia linfoide avançada e já não tinham mais opções para quimioterapia.
Normalmente, a única esperança para uma remissão da doença, nesses casos, é um transplante de medula, mas esses pacientes em questão não eram candidatos a um.
O Dr. Carl June, que liderou as pesquisas e é o diretor para medicina translacional no Centro de Câncer Abramson na Universidade da Pensilvânia, diz que os resultados assombraram até mesmo a ele e seus colegas David L.Porter, Bruce Levine e Michael Kalos. Eles esperavam obter algum benefício, mas não haviam ousado sonhar com remissões completas e prolongadas. Na verdade, quando Ludwig começou a ter febres, os médicos não perceberam, a princípio, que isso era um sinal de que suas células T estavam engajadas em uma furiosa batalha contra o câncer do paciente.

Linfócito T vence câncer(NYT)
NYT
Outros especialistas da área dizem que os resultados foram um avanço importantíssimo. ''É um excelente trabalho’', disse o Dr. Walter J. Urba, do Centro de Câncer Providence e do Instituto de Pesquisas Earle A. Chiles em Portland, Oregon. Ele descreveu a recuperação dos pacientes como extraordinária, empolgante e significativa. ''Sinto-me muito positivo em relação a essa nova tecnologia. Conceitualmente, a coisa é grande, muito grande’'.
Tirando a sorte grande na genética Para fazer com que as células T procurem e destruam as células cancerígenas, os pesquisadores devem equipá-las para realizarem diversas tarefas: reconhecer o câncer, atacá-lo, multiplicar-se e persistir dentro do paciente. Muitos grupos de pesquisa têm tentado realizar tudo isso, mas as células T projetadas por eles não eram capazes de realizar todas as tarefas. A equipe da Universidade da Pensilvânia parece ter acertado em todos os alvos de uma só vez. Dentro dos pacientes, as células T modificadas pelos pesquisadores multiplicaram-se de mil para 10 mil vezes a quantidade inserida, limparam o câncer e depois diminuíram gradualmente, deixando uma população de células de 'memória’, que podem proliferar-se rapidamente de novo, se necessário.
Os pesquisadores dizem não ter certeza sobre quais partes de sua estratégia fizeram a experiência funcionar – técnicas especiais de culturas celulares, o uso do HIV-1 como condutor para os novos genes para as células T, ou os pedaços de DNA em particular, que eles selecionaram para reprogramar essas células T.
Para administrar o tratamento, os pesquisadores coletaram o máximo de células T do paciente que conseguiram, passando seu sangue por uma máquina que removia as células e retornava os outros componentes do sangue. As células T eram então expostas ao vetor, que as transformava geneticamente, e depois congeladas. Nesse meio tempo, os pacientes eram submetidos a quimioterapia para exaurir quaisquer células T remanescentes, porque essas células T nativas poderiam impedir o crescimento das alteradas. Finalmente, as células T modificadas eram inseridas de volta aos pacientes.
O tratamento eliminou todas as células B (ou linfócitos B) dos pacientes, tanto saudáveis quanto acometidas de leucemia, e irá continuar com esse processo enquanto as novas células T persistirem no corpo, o que poderia ser para sempre (e conceitualmente deveria ser, para manter a leucemia afastada). A falta de células B significa que os pacientes podem tornar-se vulneráveis a infecções e que precisarão de transfusões periódicas de uma substância chamada imunoglobulina intravenosa para protegê-los.

Linfócito T vence câncer(NYT)
NYT
Uma coisa que ainda não está clara é por que o Paciente 1 e o Paciente 3 tiveram remissões completas, enquanto o Paciente 2 não. Os pesquisadores dizem que quando o Paciente 2 desenvolveu a febre e os calafrios, ele foi tratado com corticoides em outro hospital e os remédios podem ter interrompido a atividade das células T. Mas eles não podem ter certeza disso. A doença, nesse paciente em particular, também poderia ser severa demais.
Riscos para os pacientes Mesmo sendo promissoras, as novas técnicas desenvolvidas pelos pesquisadores da Universidade da Pensilvânia não livram os pacientes de outros perigos. As células T projetadas atacaram tecidos saudáveis em pacientes de outros centros. Uma reação como essa matou uma mulher de 39 anos de idade que tinha um caso avançado de câncer colorretal, em um estudo no Instituto Nacional do Câncer americano, conforme relatado pelos pesquisadores do instituto no periódico Molecular Therapy, no ano passado. Pesquisadores do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering em Nova York também reportaram uma morte no ano passado, ocorrida em um experimento com células T para combate à leucemia (também publicado no Molecular Therapy). A autópsia descobriu que o paciente aparentemente havia morrido em decorrência de uma septicemia – e não por causa das células T – mas, pelo fato de ter morrido apenas alguns dias depois da infusão, os pesquisadores disseram que consideraram o tratamento como sendo um fator possível para o falecimento.
June diz que sua equipe espera usar as células T para combater tumores sólidos, incluindo alguns de tratamento muito difícil, como o mesotelioma e os cânceres de ovário e pâncreas. Mas ele diz que os possíveis efeitos colaterais são uma preocupação real, observando que uma das proteínas-alvo do tratamento nas células dos tumores também é encontrada nas membranas que forram o tórax e o abdômen. Os ataques das células T poderiam causar inflamações sérias nessas membranas e imitar o lúpus, que é uma séria doença autoimune.
Mesmo que as células T não atinjam alvos inocentes, ainda assim existem riscos. As proteínas liberadas por elas poderiam causar uma 'tempestade de citocina’, – febres altas, inchaços, inflamações e pressão sanguínea perigosamente baixa – potencialmente fatal. Ou, como o tratamento rapidamente mata bilhões de células cancerígenas, os 'destroços’
remanescentes poderiam danificar os rins e causar outros problemas.
Mesmo que o novo tratamento baseado nas células T prove-se eficaz, a indústria farmacêutica será necessária para produzi-lo em massa. Mas June diz que as pesquisas estão sendo conduzidas apenas em universidades e não nas companhias farmacêuticas.
Segundo ele, para que a indústria farmacêutica se interesse, deverão ser fornecidas provas incontestáveis de que o tratamento seja extremamente melhor do que os já existentes.
Quando os médicos entraram em contato com Ludwig, ele pensou que, se o experimento conseguisse lhe dar mais seis meses ou um ano de vida, o risco valeria a pena. Mas mesmo que o estudo não fosse capaz de ajudá-lo, ele sentiu que mesmo assim valeria, se ele pudesse ajudar com as pesquisas.
Quando as febres começaram, ele não tinha ideia de que isso poderia ser uma coisa boa. Mas segundo ele, algumas semanas depois, sua oncologista, a Dra.Alison Loren, disse a ele: ''Nós não conseguimos encontrar nenhum vestígio de câncer na sua medula’'. Lembrando-se desse momento, Ludwig faz uma pausa, e diz: ''Fico arrepiado só de falar essas palavras a vocês’'. Antes dos estudos, Ludwig estava fraco, sofria repetidas crises de pneumonia, e estava definhando. Agora, ele está cheio de energia. Ele ganhou 18 quilos. Ele e sua esposa compraram um motorhome, no qual viajam com seu neto e seu sobrinho.
''Eu me sinto normal, como me sentia dez anos antes de ser diagnosticado’', diz Ludwig. ''Esse estudo clínico salvou minha vida’'.
Loren disse em uma entrevista: ''Odeio dizer isso de maneira tão dramática, mas eu realmente acredito que isso salvou a vida dele’'.
Ludwig diz que Loren disse algo profundo a ele e à sua esposa. ''Ela disse: 'Nós não sabemos por quanto tempo isso pode durar. Aprecie cada dia’', lembra-se. ''E é isso o que temos feito desde então’'.
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William Ludwig, a survivor of leukemia, inside an RV parked outside his home in Bridgeton, N.J., Sept. 8, 2011. Ludwig volunteered for an experiment at the University of Pennsylvania, where researchers extracted a billion of his T-cells and gave them new genes to attack his cancer. (Jessica Kourkounis/The New York Times)
Jessica Kourkounis/The New York Times
DESAFIANDO O CÂNCER -NESSA LUTA PELA DESCOBERTA DA CURA.

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