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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CÂNCER DE TESTÍCULO


Câncer de testículo é um dos que mais acometem os jovens

Equipe Oncoguia
Câncer de testículo: o diagnóstico precoce é fundamental para os índices de sucesso do tratamento e pode reduzir ainda as chances de ter que se adotar procedimentos complementares
 
 
* Por Ricardo Felts de La Roca

Os tumores testiculares representam a maior parcela das mortes por câncer em homens jovens entre 15 e 35 anos de idade. O diagnóstico precoce é fundamental para os índices de sucesso do tratamento e pode reduzir ainda as chances de ter que se adotar procedimentos complementares - que, por sua vez, ajudam a aumentar as taxas de cura, mas a um preço elevado. 
 
Dizemos isso pois, em casos de tumores de linhagens muito agressivas, com grande potencial de metástases para os gânglios linfáticos inguinais e abdominais, além da retirada do testículo acometido pelo câncer, é necessária a quimioterapia sistêmica. Uma cirurgia de grandes proporções para a retirada dos gânglios entre a artéria aorta e a veia cava torna-se ainda necessária, pois este é o principal reduto de gânglios linfáticos com predisposição a sofrer com metástases do tumor e que pode também não responder ao tratamento.
 
Por ser extremamente delicada a liberação destes grandes vasos sanguíneos, a cirurgia acima mencionada acaba tendo como consequência a destruição dos plexos nervosos que comandam a ejaculação. Assim, após se submeter a ela, o paciente pode apresentar ejaculação retrógrada, ou seja, o esperma escorre para trás, em direção a bexiga, o que pode trazer dificuldades de fertilização.
 
Também devemos chamar atenção para o fato de que a própria quimioterapia afeta as células do testículo sadio remanescente, podendo também causar infertilidade. Procedimentos como colher várias amostras de esperma antes da cirurgia, congelar e, se necessário, utilizar este sêmen guardado para uma inseminação artificial podem contornar tal problema.
 
O autoexame, tão indicado a mulheres para detectar nódulos nos seios, é também recomendado para homens, embora poucos o façam, já que os testículos são órgãos muito sensíveis. A frequente falta de informação e conhecimento das características e posição dos elementos que constituem o conteúdo escrotal, podem ainda, muitas vezes, fazer com que o indivíduo confunda estruturas anatômicas normais com pequenos tumores.
 
Por outro lado, em caso de aumento progressivo e geralmente indolor de um dos testículos, um urologista deve ser procurado. Após examinar o paciente, ele pode decidir solicitar um exame de ultrassom e outros exames laboratoriais de sangue com a dosagem de marcadores bioquímicos que podem se apresentar elevados em certos tipos de tumor de testículo.
 
Considerando o poder metastático para gânglios, pulmão, cérebro, fígado, considerando também as várias formas de apresentação histológica destes tumores (menos ou mais invasivos) e ainda que o diagnóstico precoce abrevia o tempo de tratamento - e até pode evitar a necessidade de tratamento complementar à cirurgia -, fica a recomendação para que os jovens não tenham preconceito de conversar com seus pais sobre assuntos relacionados à sua genitália e não tenham vergonha de procurar um médico urologista que o examine. A recomendação é maior ainda para aqueles que têm um histórico de criptorquidia (testículos presos, que não desceram à bolsa escrotal ou que desceram por meio de cirurgia), pois sabemos que estes apresentam uma maior probabilidade de apresentar alterações carcinomatosas em seus testículos.
 
 
 
Ricardo Felts de La Roca é urologista e colunista do Portal Oncoguia. É também Mestre em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, doutorando em Oncologia do Hospital do Câncer A.C. Camargo e membro da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Americana de Urologia.

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