Viva Um dia de Cada Vez e Seja Feliz

quarta-feira, 16 de junho de 2010

MEDOS QUE NÃO SE CURAM



Olá pessoas queridas,
Estava lendo uma matéria no site,http://www.hcancerbarretos.com.br , que se chama fala Doutor achei muito bom porque ele fala exatamente do que eu tenho enfrentado nesses últimos dias o preconceito de algumas pessoas em relação a doença.

A popularização dos meios modernos de comunicação e a facilitação ao seu acesso aumentou o conhecimento da população sobre as diferentes formas de diagnóstico, prevenção e tratamento das doenças. Com o câncer não é diferente. Freqüentemente encontramos pessoas simples com conceitos bem formados sobre auto-exame e exames de detecção precoce como o papanicolaou e a mamografia. O entendimento popular sobre a terapia também mudou. Com a divulgação do progresso da medicina atual, as pessoas participam mais do tratamento e compreendem com mais facilidade. A confiança na melhora das formas de tratamento é presente na conversa com os portadores. Distâncias e barreiras foram reduzidas e a troca de informações foi muito facilitada.

Apesar de todas as conquistas, certas crenças e atitudes negativas persistem. Mesmo com a melhora nos índices de cura, não é raro encontramos pacientes completamente curados e sem seqüelas, em grave desajuste psicossocial. O estigma continua presente. Muitos são curados fisicamente, mas incapazes de voltar ao mercado de trabalho e ao convívio pleno, assumindo sua condição. Ainda se fala mais baixo quando o assunto é câncer. Escondem-se laudos, exames e mente-se sobre a doença em todos estratos sociais. A carga negativa mantém-se inalterada apesar da velocidade das mudanças do mundo contemporâneo. Com tanta informação, esperava-se mudanças evolutivas de atitudes que não ocorreram.

A maneira de ver e sentir as doenças vai muito além da informação pura e simples. A enfermidade sempre traz a idéia do homem finito. A sociedade ocidental moderna não aceita e não discute a morte, além de cultuar a juventude eterna e a beleza física. O processo de envelhecimento, intrínseco ao homem, é abstraído e negado em nossa consciência. Como a ilusão é coletiva, é reforçada nos relacionamentos sociais. São conceitos que extrapolam conhecimento e erudição, fazendo parte da própria essência filosófica de nossa cultura.

A mesma sociedade que admira e nutre o pensamento cartesiano e o racionalismo, berços da ciência moderna, recusa-se a aceitar a morte. Existe um mecanismo crescente e antagônico de fé tecnológica e negação de nossa brevidade, onde cada vez mais ansiamos por novos avanços em adiar nosso fim. Não existe resposta aos nossos anseios, não se vive para sempre. A penosa consciência de nosso fim é parte do encanto de sermos humanos e únicos. Aceitar de modo sereno e viver conscientes do ocaso é um desafio silencioso e solitário.

Os avanços que vamos presenciar nas próximas décadas serão assombrosos, mas certos medos não se curam.

Dr Vinicius de Lima Vazquez


Oncologista do Hospital de Câncer Barretos

Parábens Doutor Vinicius pela matéria e compreensão dessa doença

bjus até a próxima.

Um comentário:

  1. Tenho o maior orgulho de você...parabéns mais uma vez, sempre com palavras sábias. Você é um exemplo para mim.
    Bjos
    Fabiana

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário e me diga qual o assunto voce quer saber?